BIOGRAFIA

JÚLIO CESAR DE MELLO E SOUZA – “MALBA TAHAN” (1895 – 1974)

 

PRIMEIROS ESTUDOS SOBRE MALBA TAHAN

Geisa Zilli Shinkawa

Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) – Campus Bauru

geisa_zilli@hotmail.com

 

Resumo: O presente trabalho tem como finalidade apresentar uma breve biografia do professor Júlio César de Mello e Souza, um dos grandes nomes da matemática brasileira, que ficou mundialmente conhecido através de seu principal pseudônimo, Malba Tahan. Além de disponibilizar a biografia de Malba Tahan, que ganhou vida própria, superando a condição de pseudônimo.

Palavras-chave: Biografia; Júlio Cesar de Mello e Souza; Malba Tahan; Matemática; problemas recreativos.

 

INTRODUÇÃO

A idéia para a realização deste trabalho ocorreu a partir de estudos realizados na disciplina História da Matemática, freqüentada durante a graduação, e deu-se por meio de uma pesquisa sobre a vida e obra de Malba Tahan. A partir deste estudo foi descoberto que Malba Tahan trata-se de um dos pseudônimos do professor-autor Júlio César de Mello e Souza e que seu nome é, na verdade, Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan.  Portanto, este trabalho tem por finalidade discorrer sobre a vida pessoal e acadêmica de ambos, bem como algumas obras e títulos já publicados por esses autores.

Tamanha é a importância de Malba Tahan para a Matemática que o dia de seu nascimento e, coincidentemente, o dia do nascimento de Mello e Souza é o Dia da Matemática, instituído pelo Congresso Nacional, em 2004.

Para tanto, este trabalho está dividido em capítulos: o capítulo 2 fala sobre a biografia de Júlio César de Mello e Souza, o capítulo 3 descreve a respeito do pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza, Malba Tahan, e o capítulo 4 discorre sobre como aconteceu a inserção de Malba Tahan no mercado literário.

UMA BREVE BIOGRAFIA: JÚLIO CÉSAR DE MELLO E SOUZA

Júlio César de Mello e Souza cresceu em uma cidade do interior paulista e se tornou um dos maiores escritores brasileiros. Atuou em diferentes áreas profissionalmente, de carregador de livros até professor de matemática, e teve uma carreira promissora como escritor. Em suas obras utiliza pseudônimos, que serão citados e estudados no decorrer deste trabalho.

A INFÂNCIA E A FAMÍLIA

Francisco José de Mello e Souza e Maria Amélia de Mello e Souza, naturais de Alcobaça, Portugal, são pais de João de Deus de Mello e Souza (1862 – 1910) e avós paternos de Júlio César de Mello e Souza. Manoel Carlos de Toledo e Maria de Toledo, naturais de Silveira, São Paulo, são pais de Carolina Carlos de Mello e Souza (1886 – 1925) e avós maternos de Júlio César de Mello e Souza.

Segundo Lacaz e Oliveira (2005), João de Deus de Mello e Souza trabalhava como escriturário numa importante indústria no Rio de Janeiro. Nesta indústria conheceu um rico fazendeiro de Queluz, interior de São Paulo, chamado Antonio Cirino, que o convidou para mudar-se para Queluz. João de Deus de Mello e Souza aceitou o convite e passou a residir em Queluz, onde trabalhava como Funcionário do Ministério da Justiça. Em 1882 fundou juntamente com seu irmão Irineu um colégio em regime de internato denominado “Colégio João de Deus”.

Foi também em Queluz que conheceu Carolina Carlos de Mello e Souza (1886 – 1925), uma professora primária e fundadora da primeira escola pública de Queluz, com quem se casou posteriormente. Devido à crise do café, em 1889, o internato foi fechado e João de Deus e Carolina Carlos de Mello e Souza se mudaram para o Rio de Janeiro em 1891.

Em 06 de maio de 1895 nasce no Rio de Janeiro, Júlio César de Mello e Souza, e em 1897, devido a grandes dificuldades financeiras, a família retorna à Queluz, cidade em que Júlio César de Mello de Souza, o “Julinho”, passou toda a sua infância juntamente com seus pais e irmãos.

A família de Júlio César de Mello de Souza era uma família humilde e, de acordo com Oliveira (2007), uma das brincadeiras preferidas de Júlio era colecionar sapos, um estranho desejo que é narrado pelo irmão de Júlio César, João Batista de Mello e Souza, em sua obra Meninos de Queluz. Outro acontecimento narrado nesta obra é a visão pessimista de João Batista, que afirmava que Júlio César escrevia mal e era uma negação em Matemática. Isso se deu devido ao fato de João de Deus de Mello e Souza desejar que o filho Júlio César ingressasse no Colégio Militar e pedir que João Batista o ajudasse nos estudos.

O CASAMENTO E A VIDA ACADÊMICA

Em 1906, contrariando o descrito acima, Júlio César de Mello e Souza matricula-se no Colégio Militar do Rio de Janeiro, sob o número 846, e permanece lá por três anos. Nesse colégio foi seu colega Osvaldo Aranha, futuro Ministro do Exterior e Chanceller do Brasil no governo de Getúlio Vargas, cita Siqueira Filho (2008).

Esse mesmo autor afirma que, no ano de 1909 Júlio César de Mello e Souza transferiu-se em regime de internato, por motivos financeiros e devido ao alto custo das mensalidades do Colégio Militar, para o Colégio Dom Pedro II, também estabelecido no Rio de Janeiro. Como possuía vocação para o magistério, fez curso de professor primário na Antiga Escola Normal do Distrito Federal, hoje denominado Instituto de Educação do Rio de Janeiro, e passou a lecionar para turmas suplementares de externato do Colégio Dom Pedro II, além de atuar como carregador de livros no Armazém da Biblioteca Nacional.

Em 1913 ingressou no curso de Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, e obteve seu diploma de conclusão após vinte anos, mais precisamente em 14 de setembro de 1932; assim pode-se perceber que este curso não era prioridade para ele uma vez que ele nunca exerceu a profissão.

Durante esse período de vinte anos em que possuía vínculos com a escola politécnica casou-se com Nair de Mello e Souza, em 1925, e teve três filhos: Rubens Sérgio de Mello e Souza, Oficial da Marinha – Capitão e Fragata, Maria Sônia de Mello e Souza, pintora, e Ivan Gil de Mello e Souza, arquiteto.

Siqueira Filho (2008) aponta que, passados dez meses da expedição de seu diploma de Engenheiro Civil, Júlio César de Mello e Souza candidatou-se a uma cátedra de Matemática no Colégio Dom Pedro II e acredita que o mesmo fez questão de obter o diploma objetivando sua candidatura. Juntamente com Mello e Souza inscreveram-se também Alberto Nunes Serrão, Haroldo Lisboa da Cunha, César Dacorso Netto e Luiz Sauerbronn, todos com diploma de engenheiros, pois não haviam muitas instituições destinadas à formação de professores, sobretudo de matemática.

O que se deve ressaltar é que a matemática desde 1913, ano em que Júlio César de Mello e Souza começou a ministrar aulas, não era prioridade em sua carreira. Quando começou a lecionar resolveu ensinar história, depois geografia e física, mas segundo Siqueira Filho (2008), não gostou de nenhuma, decidindo então ensinar matemática, alegando que a matemática era uma disciplina imutável, isenta de valores e organizada por números.

Conforme cita Oliveira (2004), Júlio César de Mello e Souza escreveu várias obras, sendo algumas delas sozinho e outras em parceria com autores matemáticos, dos quais se pode citar Euclides Roxo, Cecil Thiré, Jairo Bezerra, Jurandy Paes Leme, Célia Moraes, Nicanor Lemgruber e Irene de Albuquerque. Além de escritor, Mello e Souza atuou ainda como diretor responsável na Revista Al-Karizmi, registrada em 1946, descreve Siqueira Filho (2008). Esta revista publicava recreações matemáticas, jogos, curiosidades, histórias, problemas, artigos de colaboradores e uma extensa coleção de livros. Além desta, atuou nas revistas Damião (1951) e Lilaváti (1957).

Júlio César de Mello e Souza faleceu no dia 18 de junho de 1974, em Recife, onde estava ministrando os cursos “A Arte de Contar Histórias” e “Jogos e Recreações” no Colégio Soares Dutra e seu sepultamento aconteceu no Rio de Janeiro, afirmam Lacaz e Oliveira (2005).

Segundo Oliveira (2004), o óbito de Mello e Souza se deu às 5h 30 enquanto ele estava nos braços de sua esposa Nair, no hotel Boa Viagem, onde estava hospedado enquanto ministrava os cursos descritos acima, sendo o causador de sua morte um edema pulmonar agudo. Uma recomendação de Júlio César de Mello e Souza foi que não usassem luto pela sua morte, fazendo referência a versos de Noel Rosa para justificar seu pedido.

Com a morte de Júlio César de Mello e Souza o mundo perdeu um professor, pesquisador, arquiteto, engenheiro, editor, conferencista, escritor, educador e pedagogo brasileiro.

OS PSEUDÔNIMOS DE JÚLIO CÉSAR DE MELLO E SOUZA: A VALORIZAÇÃO DE AUTORES ESTRANGEIROS

Em 1918, quando Júlio César de Mello e Souza tinha 23 anos de idade, ele começou a trabalhar para o jornal carioca O Imparcial, cujo diretor era Leônidas Rezende.

Siqueira Filho (2008) descreve que, pelo fato de Júlio César gostar de escrever e conhecer como se dava o funcionamento do jornal, sabia que o mesmo dispunha de espaço para publicações literárias e enviou alguns de seus contos à Leônidas, pedindo-lhe para que fossem publicados, pois eram curtos e as pessoas poderiam ler no bonde. Mas Leônidas não deu importância ao trabalho de Júlio, que voltou à sala do diretor e pegou seus textos de volta.

Como o mercado literário daquela época dava grande valor à escrita estrangeira Mello e Souza trocou seu nome por R S Slady (ou R S Slade, como citam outros autores), que acabara de inventar, e levou seu texto novamente para o diretor, dizendo que seu trabalho era mesmo muito ruim, mas ele havia descoberto um autor americano denominado R S Slady que escrevia bem e era desconhecido no Brasil.

No dia seguinte, O Imparcial trazia em sua primeira página o conto A Vingança do Judeude R S Slady, e mais quatro seriam publicados posteriormente. A partir deste momento Júlio César de Mello e Souza iniciou seus estudos sobre a língua e a cultura árabes, realizando pesquisas a respeito da história e da geografia do Oriente e também sobre os povos do deserto, descreve Oliveira (2004). Cabe ressaltar que Júlio César de Mello e Souza nunca visitou o Oriente.

No ano de 1925 é lançado o protagonista deste trabalho, o escritor árabe Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan, que é outro pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza e um dos nomes mais famosos de nossa literatura.

O PSEUDÔNIMO: ALI IEZID IZZ-EDIM IBN SALIM HANK MALBA TAHAN

06 de maio de 1885 é a data que marca o nascimento de Ali Iezid (ou Yezzid, como citam outros autores) Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan, um famoso escritor árabe descendente de uma família muçulmana que nasceu na aldeia de Muzalit, próxima à antiga cidade de Meca. Começou seus estudos no Cairo, depois foi para Constantinopla, onde concluiu o curso de ciências sociais. Foi também durante esse período que começou a escrever trabalhos literários que seriam publicados em diversos jornais e revistas, em turco, segundo Siqueira Filho (2008).

Apesar de seu nome ser Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan, todos o conhecem apenas por Malba Tahan. Nome que, de acordo com Tahan (1957) significa “O Moleiro de Malba”, pois Malba é a denominação de um povoado ao sul da Arábia e Tahansignifica o Moleiro.

Também de acordo com Tahan (1957), por meio de um convite de seu amigo Emir Abd El-Azziz ben Ibrahim, ele assumiu o cargo de prefeito de El-Medina e exerceu seu cargo, ou melhor, suas funções administrativas com inteligência e habilidade. Conseguiu também poupar incidentes entre peregrinos e autoridades locais e buscou dar amparo aos estrangeiros que visitavam os lugares sagrados do Islã.

Quando o pai de Malba Tahan morre, em 1912, ele, com 27 anos, recebe uma valiosa herança e deixa de desempenhar suas funções como prefeito para viajar pelas diferentes partes do mundo, tais como China, Japão, Rússia, Índia; visitando, Malba podia observar e estudar as tradições e costumes dos variados povos, descreve Tahan (1957).

Em julho de 1921, Malba Tahan é ferido em combate próximo a El Riad, enquanto lutava pela liberdade de uma tribo da Arábia Central e morre em seguida.

AS OBRAS DE ALI IEZID IZZ-EDIM IBN SALIM HANK MALBA TAHAN

Após criar Malba Tahan, Júlio César de Mello e Souza saiu à procura de um espaço para promover a inserção de seu personagem por meio da publicação de seus contos orientais educativos. Foi então ao jornal mais lido do Brasil, denominado A Noite, falou com seu diretor; o jornalista Irineu Marinho, que o atendeu muito bem; e explicou tudo o que havia “criado”.

Ao ler os contos, Marinho gostou muito e pediu a seu secretário, Euricles de Mattos, para que esse trabalho fosse publicado com destaque na primeira página do Jornal. O Título do trabalho seria Contos das Mil e Uma Noites e os contos seriam precedidos por uma biografia de Malba Tahan; o que os leitores não saberiam é que Malba Tahan era um pseudônimo.

A partir de 1925, o jornal paulista Folha da Noite também passou a publicar os contos de Malba Tahan numa seção denominada Contos Árabes de Malba Tahan.

Segundo Siqueira Filho (2008), os contos de Malba Tahan foram publicados por muitos anos em vários jornais e revistas, dos quais pode-se citar: O JornalO Cruzeiro, revista de âmbito nacional fundada em 1928, no Rio de Janeiro; A Noite Iliustrada; Almanaqued’O Tico Tico, a primeira revista infantil publicada no Brasil; Correio da Manhã, um jornal; Última Hora,com “Matemática Recreativa”, para compor a seção Malba Tahan contava com a colaboração do público leitor; Globo Juvenil; Vamos Ler, revista lançada em 1936 pertencente ao grupo de Empresas Incorporadas ao patrimônio da União; A Cigarra,revista ilustrada e literária que surgiu em 1895, no Rio de Janeiro; A Galera; O Número; A Maça,revista fundada e dirigida por Humberto de Campos sob o pseudônimo de Conselheiro XX, era obscena e licenciosa, mas com ótima apresentação gráfica;Revista da Semana, que começou a circular em 20 de maio de 1901; Diário da Noite; Folha de São Paulo Vida Ilustrada.

Novamente de acordo com Siqueira Filho (2008), após ter publicado seus contos nos jornais A Noite e Folha da Noite, Malba Tahan lançou um livro denominado Contos de Malba Tahan e o inscreveu num concurso da Academia Brasileira de Letras (ABL), porém não foi contemplado. Mas, em 1930, Tahan foi condecorado por esta academia pelo livroCeo de Allah e, em 1939, pelo livro O Homem que Calculava.

Com a intenção de aproximar ao máximo seu personagem de um personagem real e é claro, confundir o leitor, Júlio César de Mello e Souza cria também um tradutor para os livros de Malba Tahan, o professor Breno de Alencar Bianco.

Como Malba Tahan, Júlio César de Mello e Souza escreveu mais ou menos 56 livros a respeito de temas bastante diversificados, tais como: livros de matemática, sobre didática, contos infantis e lendas orientais, moral religiosa, teatro, entre outros, cita Oliveira (2004).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como se viu, a partir de determinado momento da história, não é mais possível separar o nome brasileiro Júlio César de Mello e Souza do nome árabe Malba Tahan, havendo aí uma fusão entre o real e o fictício. Por esse motivo Júlio César de Mello e Souza é autorizado pelo Presidente Getúlio Vargas a utilizar livremente o nome Malba Tahan, e esse nome é acrescentado em sua carteira de identidade.

Percebe-se que Mello e Souza contribuiu em muito para o desenvolvimento da Matemática e da Educação no Brasil e no mundo; e, por meio de seu personagem Malba Tahan e de suas obras promoveu uma Matemática diferente, curiosa, divertida, fazendo com que fosse dada à ela (a Matemática) grande destaque e importância; além de ter escrito também obras na área da matemática pura.

Parece ousado, mas ao final deste estudo, percebe-se que Malba Tahan “Popularizou” a Matemática, não em sentido pejorativo, mas sim no sentido de facilitar o aprendizado e gosto pela mesma, tornando-a mais interessante.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LACAZ, T. M. V. S.; OLIVEIRA, Juraci Conceição de Faria. Pesquisa e uso de metodologias propostas por Malba Tahan para a melhoria do Ensino. In: Pró-reitoria de Graduação da UNESP; Universidade Estadual Paulista – Publicações; PINHO, Sheila Zambello de; SAGLIETTI, José Roberto Corrêa. (Org.). Núcleos de Ensino. São Paulo: Editora UNESP, 2005, v. 1, p. 424-444.

OLIVEIRA, C.P. Malba Tahan. Prazer em Conhecê-lo! In: Encontro Nacional de Educação Matemática. Anais do VIII ENEM, Recife, 2004.

OLIVEIRA, C.C. A sombra do Arco-Íris: um estudo histórico/mitocrítico do discurso pedagógico de Malba Tahan. 2007. Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo – USP (Faculdade de Educação), São Paulo, 2007.

SIQUEIRA FILHO, M.G. Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan: episódios do nascimento e manutenção de um autor – personagem. 2008. Tese de Doutorado, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (Faculdade de Educação), Campinas, 2008.

TAHAN, M. Minha Vida Querida. 11ª. Ed. Rio de Janeiro : Conquista, 1957.

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